sexta-feira, 12 de agosto de 2016

NOITES DOLOROSAS




NOITES DOLOROSAS

As noites me são todas mui dolorosas,
Insossas como num despropósito vivo:
Saudade esculpindo estátua enganosa
Nos salões escuros do bojo do Tempo.

Clamo pelo sono vir nas asas de Pégaso.
Ouço um ruflar de asas sem mensageiro,
Revolve-se a alma sólida dentro de mim,
Como fosse alçar o voo rumo ao infinito.

Desprezo a inimiga saudade de meu ser;
Pior a nostalgia que possui a cronicidade,
Causa recalcitrante da ausência de viver...

Após tanto venerar-te, ficou apenas a dor
Causa dum eterno autoexílio sem distância,
Banido em mim, pelo crime de tanto amor!


quinta-feira, 11 de agosto de 2016

REFLEXÕES [Felicidade]

REFLEXÕES






FELICIDADE

Eu era... euforicamente feliz.
Hoje, sou tão e só, serenamente feliz.
Mudei a cor, o tom, raspei a velha tinta
de tudo que me iludia ser felicidade!

Cada nascer do dia recebido no coração,
É um precioso acontecimento de felicidade.
Não valoramos este ato de emoção
Nem damos graças a Deus com humildade.

Em cada sorriso, cada saudação,
Você possa o maior milagre contemplar
“O dom da vida” ofertado como benção;
E se alegre agradecendo ao Pai em oração



MOMENTOS DE FELICIDADE


                         
1

2


1. Anagrama japonês símbolo da Felicidade. 
2. Árvore da Felicidade bonsai



UM SÍMBOLO DA FELICIDADE

O símbolo, bem conhecido da cultura japonesa que representa a felicidade. Pode representar  também  de modo implícito, sentimentos como realização, alegria, prosperidade, paz, amor,  harmonia, entre tantos outros sentidos… A soma harmônica e suave de tudo que nos alegra o coração.
Afinal, essa é a razão precípua da busca e a aceitação da verdadeira felicidade.


MOMENTOS DE  FELICIDADE

O lugar chamava-se Pedrinhas, em toda minha vida jamais havia visto e, por todo seu seguimento,  não retornei a ver lugar mais calmo, mais natural  e de maior paz  que o lugarejo na ponta do extremo norte da ilha.
O simples fato de receber o vento - como som de vento - no rosto, o canto dos pássaros parecendo mais próximos pela ação do próprio vento em meio ao silêncio, tem o nome próprio de Felicidade.
O retinir tão comum em nossas casas, de panelas sendo assentadas ao fogão, nas casas quase que padronizadas, longe-longe uma das outras, vinham aos meus ouvidos como um som recém-apresentado, um novo som de encanto, revestido da felicidade de estar usufruindo de um milagre chamado vida.
Um milagre com todas as letras, pois é um fenômeno ao qual não interfiro. Não peço para meu coração bater e ele bate, não peço para respirar e no entanto respiro sem perceber, penso: sem pedir ao meu cérebro que o faça, e ele o faz.
Esse conjunto de percepções emotivas e sensitivas compõem um ser vivente capaz de ver as maravilhas mais simples, como a formação de um rodamoinho na areia branca que cobre as ruas irregulares do vilarejo. Sendo irregulares em seu projeto despojado faz a característica  mágica do lugar. Ruas extremamente limpas, lixeiras verdes  efetivamente usadas pelos moradores. Ruas - bem como toda a região, arborizadas com espécimes autóctones. É uma vila cuja maior atividade é a pesca da tainha, mas não tem as feições de uma aldeia de pescadores. É uma quase cidadezinha em sua aparência de construções. Um comércio central com um “pouco de tudo”: padaria, mini-mercado, açougue-peixaria e bar. O proprietário na ocasião era o administrador de Pedrinhas.

A parte mais admirável do lugar vem agora: Por todas as ruas existem placas educativas e de alerta como por exemplo: “BARULHO APÓS ÀS 22:OOh EM PEDRINHAS NÃO FAZ SENTIDO”; “JOGAR PAPEL NAS RUAS DE PEDRINHAS NÃO FAZ SENTIDO”;  “RETIRAR QUALQUER COISA DA NATUREZA EM PEDRINHAS NÃO FAZ SENTIDO” e muitos outros que não tive a oportunidade de ler.

No comércio citado, o proprietário montou um quadro, de objetos e coisas que: JOGAR NAS RUAS E NATUREZA ‘NÃO FAZEM SENTIDO”:  papel de balas e doces;  garrafas Pets (cortadas na transversal para assentar no quadro) foto de cocôs de cachorros (que aliás não existem cães soltos); pontas e tocos de cigarro, embalagens de papel ou isopor, e etc. Chamei a família e ali ficamos um bom tempo lendo - o período de anos que os objetos permanecem na natureza e as consequências que produzem. Parabenizamos o proprietário do estabelecimento, autor dos projetos e administrador do ¹distrito. Sem dúvida algo tão educativo, digno de se aplicar copiar e até exportar como exemplo de preservacionismo  à natureza.
Para mim todo esse relato foi e continua sendo ao relembrá-lo um motivo de FELICIDADE, por ter vivido essa realidade e encantado meus sentidos.
___________________________________________________________
¹Ilha Comprida-SP - Distrito de Pedrinhas, Boqueirão Sul, anos seguintes em que Ilha comprida passou a município, desmembrando-se de Iguape-SP



terça-feira, 9 de agosto de 2016

domingo, 7 de agosto de 2016

VALSA DAS FLORES



VALSA DAS FLORES


Em meio aos suaves acordes desta valsa,

Bailávamos extasiadas e leves como a brisa,

No ritmado compasso um, dois, três.

Nosso corpo rodopiava e acompanhava,


O balanço da organza e do cetim

Dos nossos vestidos cor de esmeralda

E parecíamos flutuar, ao redor do palco.


E aqueles momentos mágicos,

Que esta eterna valsa nos proporcionou,

Serão para sempre guardados na lembrança.



Terezinha Brandenburger
https://www.youtube.com/watch?v=lFxQztPf5_I

O INCRIADO - POESIAS - [VINICIUS DE MORAES]



POESIAS
___________________________________________________________

O INCRIADO
Rio de Janeiro , 1935


Distantes estão os caminhos que vão para o Tempo — outro luar eu vi passar na altura
Nas plagas verdes as mesmas lamentações escuto como vindas da eterna espera
O vento ríspido agita sombras de araucárias em corpos nus unidos se amando
E no meu ser todas as agitações se anulam como as vozes dos campos moribundos.

Oh, de que serve ao amante o amor que não germinará na terra infecunda
De que serve ao poeta desabrochar sobre o pântano e cantar prisioneiro?
Nada há a fazer pois que estão brotando crianças trágicas como cactos
Da semente má que a carne enlouquecida deixou nas matas silenciosas.

Nem plácidas visões restam aos olhos — só o passado surge se a dor surge
E o passado é como o último morto que é preciso esquecer para ter vida
Todas as meias-noites soam e o leito está deserto do corpo estendido
Nas ruas noturnas a alma passeia, desolada e só em busca de Deus.

Eu sou como o velho barco que guarda no seu bojo o eterno ruído do mar batendo
No entanto como está longe o mar e como é dura a terra sob mim...
Felizes são os pássaros que chegam mais cedo que eu à suprema fraqueza
E que, voando, caem, pequenos e abençoados, nos parques onde a primavera é eterna.

Na memória cruel vinte anos seguem a vinte anos na única paisagem humana
Longe do homem os desertos continuam impassíveis diante da morte
Os trigais caminham para o lavrador e o suor para a terra
E dos velhos frutos caídos surgem árvores estranhamente calmas.

Ai, muito andei e em vão... rios enganosos conduziram meu corpo a todas as idades
Na terra primeira ninguém conhecia o Senhor das bem-aventuranças...
Quando meu corpo precisou repousar eu repousei, quando minha boca ficou sedenta eu bebi
Quando meu ser pediu a carne eu dei-lhe a carne mas eu me senti mendigo.

Longe está o espaço onde existem os grandes voos e onde a música vibra solta
A cidade deserta é o espaço onde o poeta sonha os grandes voos solitários
Mas quando o desespero vem e o poeta se sente morto para a noite
As entranhas das mulheres afogam o poeta e o entregam dormindo à madrugada.

Terrível é a dor que lança o poeta prisioneiro à suprema miséria
Terrível é o sono atormentado do homem que suou sacrilegamente a carne
Mas boa é a companheira errante que traz o esquecimento de um minuto
Boa é a esquecida que dá o lábio morto ao beijo desesperado.

Onde os cantos longínquos do oceano?... Sobre a espessura verde eu me debruço e busco o infinito
Ao léu das ondas há cabeleiras abertas como flores — são jovens que o eterno amor surpreendeu
Nos bosques procuro a seiva úmida mas os troncos estão morrendo
No chão vejo magros corpos enlaçados de onde a poesia fugiu como o perfume da flor morta.

Muito forte sou para odiar nada senão a vida
Muito fraco sou para amar nada mais do que a vida
A gratuidade está no meu coração e a nostalgia dos dias me aniquila
Porque eu nada serei como ódio e como amor se eu nada conto e nada valho.

Eu sou o Incriado de Deus, o que não teve a sua alma e semelhança
Eu sou o que surgiu da terra e a quem não coube outra dor senão a terra
Eu sou a carne louca que freme ante a adolescência impúbere e explode sobre a imagem criada
Eu sou o demônio do bem e o destinado do mal mas eu nada sou.

De nada vale ao homem a pura compreensão de todas as coisas
Se ele tem algemas que o impedem de levantar os braços para o alto
De nada valem ao homem os bons sentimentos se ele descansa nos sentimentos maus
No teu puríssimo regaço eu nunca estarei, Senhora...

Choram as árvores na espantosa noite, curvadas sobre mim, me olhando...
Eu caminhando... Sobre o meu corpo as árvores passando...
Quem morreu se estou vivo, por que choram as árvores?
Dentro de mim tudo está imóvel, mas eu estou vivo, eu sei que estou vivo porque sofro.

Se alguém não devia sofrer eu não devia, mas sofro e é tudo o mesmo
Eu tenho o desvelo e a bênção, mas sofro como um desesperado e nada posso
Sofro a pureza impossível, sofro o amor pequenino dos olhos e das mãos.
Sofro porque a náusea dos seios gastos está amargurando a minha boca.

Não quero a esposa que eu violaria nem o filho que ergueria a mão sobre o meu rosto
Nada quero porque eu deixo traços de lágrimas por onde passo
Quisera apenas que todos me desprezassem pela minha fraqueza
Mas, pelo amor de Deus, não me deixeis nunca sozinho!

Às vezes por um segundo a alma acorda para um grande êxtase sereno
Num sopro de suspensão a beleza passa e beija a fronte do homem parado
E então o poeta surge e do seu peito se ouve uma voz maravilhosa,
Que palpita no ar fremente e envolve todos os gritos num só grito.

Mas depois, quando o poeta foge e o homem volta como de um sonho
E sente sobre a sua boca um riso que ele desconhece
A cólera penetra em seu coração e ele renega a poesia
Que veio trazer de volta o princípio de todo o caminho percorrido.

Todos os momentos estão passando e todos os momentos estão sendo vividos
A essência das rosas invade o peito do homem e ele se apazigua no perfume
Mas se um pinheiro uiva no vento o coração do homem cerra-se de inquietude
No entanto ele dormirá ao lado dos pinheiros uivando e das rosas recendendo.

Eu sou o Incriado de Deus, o que não pode fugir à carne e à memória
Eu sou como velho barco longe do mar, cheio de lamentações no vazio do bojo
No meu ser todas as agitações se anulam — nada permanece para a vida
Só eu permaneço parado dentro do tempo passado, passando, passando.


Vinícius de Moraes
Rio de Janeiro, 1935
_______________________________________________

BIBLIOGRAFIA:
FORMA E EXEGESE - de Moraes, Vinícius
Rio de Janeiro, Pongetti, 1935
O MERGULHADOR (THE DIVER)- de Moraes, Vinícius

Rio de Janeiro, Atelier de Arte, 1968

sábado, 6 de agosto de 2016

O MAIOR NO REINO DO CÉU.


Versículos de Mateus 18. 1-9/Mc9.33-37; Lc 9. 46-48 

 Livro de Mateus da Bíblia.
O maior no reino do céu

1. Naquela hora, os discípulos se aproximaram de Jesus e perguntaram: Quem é o maior no Reino dos céus ?
2. Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles
3. e disse: Em verdade vos 


digo que, se não vos tornardes  como 
crianças, nunca entrareis no reino do céu.
4. Portanto, quem se tornar humilde como esta criança, esse será  o maior no Reino dos Céu.
5. Quem recebe uma destas crianças em meu nome, recebe a mim.
6. Mas a quem fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim, seria melhor se lhe amarrassem uma pedra de moinho no pescoço e o afundassem nas profundezas do mar.
(...)

Bíblia Sagrada - versão atualizada, Versão Pe João Ferreira de Almeida