sábado, 27 de agosto de 2016

SALMO 23



SALMO 23
O Senhor é o meu pastor
e eu sou a sua ovelha.
Nada ele deixará me faltar,
pois de mim ele vai cuidar
todo dia sem cessar.

Ele me faz deitar
em pastos verdes
e me conduz às águas
calmas e tranquilas.
Ele refrigera a minha alma,
com sua voz me acalma
e me guia por caminhos de justiça
por amor do seu nome.
Ainda que eu venha a andar
por vales que me levem à morte,
com sua mão bem forte
e com seu cajado e o seu cuidado
ele me protege e me consola.
Ele prepara uma mesa perante mim
na presença dos meus inimigos.
Ele unge a minha cabeça com óleo,
e enche o meu cálice o qual transborda.
A sua bondade e a sua misericórdia
hão de me seguir todos os dias da minha vida,
e habitarei na sua casa
por longos e maravilhosos dias.

14-08-2016. Cícero Alvernaz (autor)

MACHADO DE ASSIS POETA

SÁBADO, 27 DE AGOSTO DE 2016



MACHADO DE ASSIS, POETA.

Machado de Assis



É considerado o maior escritor brasileiro da língua portuguesa. Muito conhecido por seus romances, especialmente "DOM CASMURRO".

Porém, é pouco comentado por seus poemas.
É, sem dúvida, de toda valia a este espaço cultural registrar estes versos do grande brasileiro MACHADO DE ASSIS.

Com mais razão ainda, se os versos falam do nosso motivo principal: AMIZADE.


BONS AMIGOS

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

[Machado de Assis]

_________________________



Os dez escritores mais citados pelos especialistas estrangeiros consultados na pesquisa realizada pelo Itaú Cultural são os seguintes:
 1-      Machado de Assis
2-      Clarice Lispector
3-      Guimarães Rosa
4-      Graciliano Ramos
5-      Jorge Amado
6-      José de Alencar
7-      Manuel Bandeira
8-      Moacyr Scliar
9-      Rubem Fonseca
10-  Drummond de Andrade.

Em: Jornal do Comércio, Sexta-feira e fim-de-semana 29-30-31 de maio, Caderno C, página 5.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A DEITAR LEMBRANÇAS
























A DEITAR LEMBRANÇAS

Vou fazer meus versos livres,
Igual ao voo de um quero-quero;
Lembrar-me da prenda que tive,
E da linda flor que ainda espero.

Campereando pela noite morta
Flor de campo, tu minha amada;
Ao nascente pareço ver tua volta,
Te vindo a sinuelo da madrugada.

Tenho por consolo mate e violão,
Lanço pealo a deitar lembranças;
Solito manoteio tão rude solidão,
Vagueando este rastro de andanças.

Lá do alto vem descendo a viração,
O céu quer em alento me agraciar,
Surge teu rosto em nuvens de ilusão
Vem assim tu querência, me animar!

terça-feira, 23 de agosto de 2016

NO SILÊNCIO DE TUA PRESENÇA







NO SILÊNCIO, TUA PRESENÇA


Bem dentro de ti,
Depois da esquina da alma,
Há o cantinho onde podes guardar
Tudo de teu em secreto,
Onde sempre haverá o lugar,
Onde tu poderás descansar
A mente inquieta e encontrar
No conforto de um afeto,
A doce paz no teu silêncio.
Quando puderes sentir,
Um caminho repleto de luz
Procure além dele
Algo que te permita
Ser levado pela brandura;
Não ouvirá som nem signo explícito
Que reflita o teu caminho.
Contudo não te perderás,
Pois clara certeza terás
De que ali presente estará
A Unidade de todas as coisas
Que são eternas e infindas.
Aos poucos tu irás
Sentir por imenso,
Que te guia uma Força,
Algo muito mais intenso
Que teu próprio coração!




CORA CORALINA A DOCEIRA DAS LETRAS























Cora Coralina em sua Velha Casa da Ponte - Goias Velho confeitando os doces caseiros.



O chamado das Pedras

A estrada está deserta.
Vou caminhando sozinha.
Ninguém me espera no caminho.
Ninguém acende a luz.
A velha candeia de azeite
de lá muito se apagou.

A caminhada ...
Tudo deserto.
A longa caminhada.
A longa noite escura.
Ninguém me estende a mão.
E as mãos atiram pedras.
Sozinha...

Errada a estrada.
No frio, no escuro, no abandono.
Tateio em volta e procuro a luz.
Meus olhos estão fechados.
Meus olhos estão cegos.
Vêm do passado.

Num bramido de dor.
Num espasmo de agonia
Ouço um vagido de criança.
É meu filho que acaba de nascer.

Sozinha...
Na estrada deserta,
Sempre a procurar
o perdido tempo que ficou pra trás.

Do perdido tempo.
Do passado tempo
escuto a voz das pedras:

Volta...Volta...Volta...
E os morros abriam para mim
Imensos braços vegetais.

E os sinos das igrejas
Que ouvia na distância
Diziam: Vem... Vem... Vem...

E as rolinhas fogo-pagou
Das velhas cumeeiras:
Porque não voltou...
Porque não voltou...
E a água do rio que corria
Chamava...chamava...

Vestida de cabelos brancos
Voltei sozinha à velha casa deserta.
- Cora Coralina, do "Meu Livro de Cordel", 8°ed., 1998.






Meu Epitáfio

Morta... serei árvore
Serei tronco, serei fronde
E minhas raízes
Enlaçadas às pedras de meu berço
são as cordas que brotam de uma lira.

Enfeitei de folhas verdes
A pedra de meu túmulo
num simbolismo
de vida vegetal.

Não morre aquele
que deixou na terra
a melodia de seu cântico
na música de seus versos.
- Cora Coralina, do "Meu Livro de Cordel", 1998.





















ASSIM EU VEJO A VIDA

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.

- Cora Coralina, [O poema acima, inédito em livro], foi publicado pelo jornal "Folha de São Paulo" — caderno "Folha Ilustrada", edição de 04/07/2001.

domingo, 21 de agosto de 2016

FOTÓGRAFO FAZ INSTANTÂNEO DE FURÃO DE CARONA EM PICA-PAU - Curiosidade -


CURIOSIDADES

Fotógrafo flagra furão de carona em pica-pau - 3 março 2015

Imagem copyright - Martin Le-May



















Esta foto flagra o momento em que um furão pega carona no voo de um pica-pau. A imagem foi feita em um parque em Londres pelo fotógrafo amador Martin Le-May.
Ele acredita que o mamífero atacou o pássaro, que decolou no susto, levando consigo o passageiro.
"O pica-pau estava saltitando estranhamente como se estivesse pisando numa superfície quente... O pássaro voou sobre nós e um pouco em nossa direção; de repente, ficou óbvio que ele tinha um pequeno mamífero nas costas e que essa era uma luta pela vida", disse Le-May.
A dupla aterrissou a cerca de 25m do fotógrafo, que disse ter temido pelo pica-pau.

Mas a sua presença pode ter distraído o mamífero predador, que desapareceu na vegetação. O pássaro escapou com vida.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

TERTÚLIA E FOGO DE CHÃO

 CULTURA REGIONAL
 DO RIO GRANDE DO SUL



TERTÚLIA E FOGO DE CHÃO

Uma bailanta junto à 
fogueira
Minha prenda traz um 
amargo
Ferve a saudade como a 
chaleira 

Daquela charla repassando o
 trago


<!><!>


O mote da charla lembra: 
querência.
Na roda de prosa ao pé do 
ouvido

Seja campo ou galpão é a essência:
E se chama tertúlia, de voz 
o sonido.  

<!><!>

A chamarra da cordeona 
prateada      

Prenha de sol, de lua, de 
história;
São temas sem peia nem 
floreada
À feia desfigura de uma 
memória.


<!><!>


Onde se marca o passo e 
compasso

Glória de nossa ancestral 
geração...

Causa disso, as prendas nos 
abraçam, 
Ao verem se molhar olhos e
 coração.


<!><!>

Tertúlia é culto ao altar: fogo de 
chão; 

A charla é nossa prece, família e 
coração,

Batismo, sonoro, som de gaita e 
       violão,        
Desde o guri, à prenda, o taita e o 
ancião...


[MAURO MARTINS SANTOS]

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Glossário regionalista do Rio Grande do Sul


* TERTÚLIA - Conversa em família e amigos íntimos no galpão, ao pé do fogo de chão, churrasqueando e tomando chimarrão. Reunião quase solene de amizade e confidências,Como diz um gaúcho “é na Tertúlia que um taita pode chorar abraçado a um amigo” e aí é que se declaram aproximações e sanam diferenças, reatam laços, casais  se recompõe ao ouvir um pajador, improvisar versos a propósito atingindo os corações. Quem não sabe que uma prece é uma sublimada poesia? E, que uma poesia tocante e sentida tem força de oração?

PAJADOR - Declamador de poesias regionalistas, tradicionalistas, que de costume as fazem de improviso e em desafio a outro pajador. O Rio Grande do Sul é pródigo em poetas neste gênero, que se apresentam em concursos ou abrilhantam festivais nos CTGs [Centros Tradicionalistas Gaúchos] espalhados pelo Rio Grande e  partes do país. 

CHARLA – A própria conversa em si.  Em uma reunião em um CTG, fora a música e a poesia, é a boa prosa, recheada é claro de seu regionalismo. Até quem está longe dos pagos gaúchos, ou na cidade grande longe dos pampas, internaliza a charla dos patrícios, “para não ficar mais de fora que dedão em alpargata furada”.